Vida Agostiniana Recoleta: espiritualidade e missão
Homens consagrados que seguem a Jesus Cristo conforme os ensinamentos de Santo Agostinho, estes são os Agostinianos Recoletos. Religiosos sacerdotes e irmãos, pertencentes à Ordem, que vivem uma vida contemplativa e ativa, entregando-se completamente a Deus e buscando refletir o amor dEle em suas ações.

Nossa vida agostiniana recoleta, embora o nome sugira 'recoleção', que significa recolhimento, é vivida em comunidade, baseada na fraternidade e no serviço, com o objetivo de anunciar a Boa Nova e compartilhar o amor do Pai com o próximo.
A espiritualidade Agostiniana Recoleta é profundamente inspirada pelo carisma de Santo Agostinho. Enquanto outras congregações costumam ter um santo fundador, a nossa tradição se diferencia porque Santo Agostinho não fundou diretamente a Ordem.
Ela surgiu no século XVI, quando alguns religiosos agostinianos, sob o impulso do Espírito Santo, desejaram viver a sua vida consagrada, com renovado fervor e novas normas, a serviço da Igreja. O Capítulo da Província de Castela celebrado em Toledo, em 1588, determinou que, em algumas casas, se vivesse este novo modo de vida fosse vivenciado. A poucos anos de iniciar-se a Recoleção, em 1605, partiria a primeira expedição missionária para as Filipinas.
Os Agostinianos Recoletos são herdeiros da forma de vida concebida por Santo Agostinho (354-430) e assumida no século XIII, com espírito mendicante, pela Ordem de Santo Agostinho (Grande União de 1256).
A vida agostiniana recoleta
Somos uma expressão de busca por Deus, tanto nas grandes missões, quanto nas pequenas atividades diárias. Buscamos ao Senhor nas orações profundas e nas tarefas simples, como no cuidado diário da casa em que habitamos e com o próximo. Entendendo que o lugar em que vivemos é um espaço sagrado, onde Deus nos encontra, não apenas dedicamos nosso tempo à oração, mas também realizamos tarefas rotineiras, como cuidar da limpeza e organização da casa de formação (seminário).
A fraternidade é um dos pilares fundamentais da nossa vida. A convivência diária com os irmãos, seja em momentos de oração, lazer ou trabalho, reflete a essência da vida comunitária que Santo Agostinho tanto valorizava. Momentos de recreação, como uma partida de futebol, também fazem parte da nossa rotina. Após as refeições, jogamos jogos lúdicos, ping pong, pebolim, sinuca, ou fazemos leituras de jornais e revistas, além de uma boa roda de conversa, pois sabemos que esses momentos fortalecem nossa união.
A espiritualidade recoleta
No coração da vida agostiniana está a espiritualidade da recoleção, que nada mais é do que um movimento de interioridade, uma busca constante de Deus no profundo do ser, para que, a partir dessa contemplação, os freis possam atuar no mundo com mais eficácia e fervor. É uma espiritualidade que primeiro busca a contemplação, para depois chegar à ação. Assim, vivemos a constante busca do equilíbrio entre a vida contemplativa e o serviço apostólico.
Essa espiritualidade transcende os limites geográficos da Ordem. Hoje, estamos presentes em diversos países, como Espanha, Brasil, Argentina, Peru, Venezuela, Colômbia, México, Taiwan, Estados Unidos e Filipinas, sempre com o propósito de espalhar a mensagem de Cristo e servir as comunidades locais.
Nossa missão
Na história missionária recoleta distinguem-se três etapas; na realidade, duas grandes etapas, separadas por um breve espaço de tempo que, por sua complicação e consequências, fez de intervalo entre dois grandes atos:
- 1606-1835: à sombra do patronato espanhol, as missões dependiam da Corte espanhola, que organizava o trabalho das ordens religiosas nos territórios de Ultramar;- 1835-1891: a separação da Igreja e Estado não se fez desde a razão e o diálogo. O Estado vive a esquizofrenia de não ser favorável aos religiosos e precisar deles em Ultramar. As missões salvam a Ordem de desaparecer;- 1892 até hoje: em colaboração com a Santa Sé, as missões nada têm a ver com a administração das colônias; a própria Igreja definiu os lugares e formas de trabalho dos missionários.
A formação Agostiniana Recoleta

Refletindo a trajetória de Santo Agostinho, marcada pela busca incansável da Verdade e pela conversão constante, nossa jornada vocacional envolve o autoconhecimento e a realização plena do propósito de Deus.
O processo formativo começa com o discernimento vocacional, onde os jovens são acompanhados por freis experientes que nos ajudam a compreender a vontade de Deus para nossas vidas. Esse primeiro momento é crucial para esclarecer as motivações e os desejos pessoais, permitindo que o vocacionado perceba se está em sintonia com o chamado divino, tirando as suas dúvidas, inquietações e medos, deixando-se guiar pelo chamado de Deus, respondendo-o com maior assertividade.
A formação segue com o postulantado, onde o jovem experimenta de forma intensa a vida de oração em comunidade e o carisma agostiniano recoleto dentro da casa de formação. É nesta etapa em que ele inicia os estudos filosóficos, que duram em média três anos.
A próxima etapa é o noviciado, que envolve uma preparação ainda mais profunda, onde o candidato passa a vivenciar o estilo de vida religioso, aliando mente e coração ao carisma da Ordem e comprovando sua intenção e aptidão para se tornar um Agostiniano Recoleto.
Depois, o jovem professa seus votos temporários (votos simples) de pobreza, castidade e obediência, comprometendo-se a seguir os conselhos evangélicos. A profissão solene, que ocorre após um período de pelo menos três anos, representa o compromisso definitivo com Deus e com a missão apostólica. Durante esse tempo, o frei aprofunda seus estudos teológicos (3 a 4 anos) e se insere nas atividades pastorais e comunitárias da Ordem.
Mas é importante ressaltar que a formação não se conclui com a profissão solene. A formação permanente é um princípio vital na vida de um Agostiniano Recoleto. Sempre há algo a ser aperfeiçoado, uma nova etapa de conversão a ser vivida, e um relacionamento mais profundo com Deus a ser alcançado.
Compreendemos que a plenitude de nossa vocação só será vivida na Eternidade, onde encontraremos a alegria e a paz perfeita em Deus.
A vida Agostiniana Recoleta é vivida no ordinário e no extraordinário. O extraordinário se manifesta no ordinário do cotidiano: nas pequenas ações de cuidado, nas orações, no serviço ao próximo e na convivência fraterna. Para nós, a vida é uma missão, e essa missão é cumprida em cada detalhe de nossa vida.
Alinhando nosso coração com o coração de Cristo, tornamo-nos reflexo vivo do Evangelho, testemunhando a fé, a esperança e a caridade em todas as ações, respondendo ao chamado de Deus com amor e generosidade.
Como nos ensina Santo Agostinho: “As palavras de nosso Senhor Jesus Cristo nos advertem que, em meio à multiplicidade das ocupações deste mundo, devemos aspirar a um único fim. Aspiramos porque estamos a caminho e não em morada permanente; ainda em viagem e não na pátria definitiva; ainda no tempo do desejo e não na posse plena. Mas devemos aspirar, sem preguiça e sem desânimo, a fim de podermos um dia chegar ao fim" (Sermão de Santo Agostinho).

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