Vivendo a Quaresma através do Sermão de Santo Agostinho
O Sermão de Santo Agostinho nos ensina a viver a Quaresma com os olhos fixos na cruz de Jesus! Confira o conteúdo e seja transformado neste tempo.

Tempo de conversão e de silenciamento. Nesses quarenta dias em preparação para a Páscoa de Nosso Senhor, recolhemos nosso coração em profunda união com o mistério do amor de Cristo em jejum, penitências e intensa oração.
No Sermão para Quaresma, Santo Agostinho fala que:
“É verdade que outras estações do ano devem brilhar para o cristão por causa de suas orações, jejuns e esmolas, mas esta oração deve despertar até mesmo aqueles que são lentos em outras ocasiões. Na verdade, aqueles que são rápidos em atender a esta obra em outras ocasiões, agora devem realizá-las com ainda maior diligência.”
Afinal, não estamos vivendo qualquer tempo, mas um período único no ano litúrgico: momento em que Cristo, em sua infinita misericórdia e amor, nos dá a vida eterna e livra-nos de todo pecado.
Neste conteúdo, à luz do Sermão de Santo Agostinho para a Quaresma, vamos meditar sobre este tempo, aprendendo com nosso pai espiritual como viver da melhor forma o período de cruz em nossas vidas. Boa leitura!
Quaresma: tempo de conversão
Santo Agostinho define este período litúrgico como:
“A vida neste mundo é certamente o momento de nossa humilhação, pois estes dias significam os sofrimentos de Cristo por nós, renovados a cada não com a recorrência deste novo tempo. Pois o que foi feito de uma vez por todas para que a nossa vida se renovasse, é solenizado todos os anos para que a sua memória se mantenha viva” (Sermão de Santo Agostinho para a Quaresma)
Estamos passando pelo deserto da alma. Assim como Jesus foi tentado durante 40 dias no deserto, nós também somos confrontados com nossas fragilidades, pecados e limitações. Nesse deserto, porém, Deus está conosco, mostrando que, assim como Ele venceu as tentações, nós também podemos fazer o mesmo com coragem, disposição e fé.
Agostinho nos ensina que a memória dos sofrimentos de Cristo se mantém viva por meio da celebração deste tempo sagrado, o que nos permite experimentar, de maneira contínua, os frutos da nossa redenção.
A humilhação, mencionada por Santo Agostinho na citação acima, não é um fim em si mesma, mas um caminho para a profunda exaltação em Cristo. Ao nos unirmos aos sofrimentos de Jesus, abraçamos a humildade e percebemos nossa dependência do amor e da misericórdia de Deus. Nossa conversão, portanto, não significa apenas uma mudança de comportamento, mas uma transformação do coração e espírito, que se abre para acolher a vontade de Deus em nossa vida.
O convite de Santo Agostinho para este tempo
Algumas práticas são citadas por nosso pai espiritual para uma melhor vivência da Quaresma. Não deixe de as colocar em ação neste período!
Precisamos ser humildes de coração

"Devemos ser humildes de coração com sentimentos da mais sincera piedade durante todo o período de nossa estada terrena, quando vivemos em meio a tentações, muito mais necessária é a humildade. [...] A humildade de Cristo nos ensinou a ser humildes porque Ele cedeu aos iníquos com Sua morte; a exaltação de Cristo nos eleva porque, ao ressuscitar, abriu o caminho para Seus seguidores." (Sermão de Santo Agostinho para a Quaresma)
A humildade é fundamental para que reconheçamos nosso lugar diante de Deus. Por este motivo, iniciamos o período litúrgico com a Quarta-feira de Cinzas, recordando-nos que do pó viemos e ao pó voltaremos.
Esta virtude é o equilíbrio que nos coloca em nosso devido lugar, mostrando a magnitude do Senhor e a nossa pequenez diante do rei dos Reis. Por isso, não deve ser vivida apenas durante a Quaresma, mas especialmente no tempo de cruz, para que reconheçamos que em Deus podemos tudo, mas sem Deus não somos nada.
A importância da oração, esmola e jejum
"Com nossas orações, acrescentemos as asas da piedade às nossas esmolas e jejum, para que possam voar mais prontamente para Deus. [...] O Senhor diz: 'Dê, e ser-lhe-á dado; perdoe, e você será perdoado' (Lc 6,37-38). Vamos graciosa e fervorosamente realizar esses dois tipos de esmola, ou seja, dar e perdoar, pois nós oramos ao Senhor para nos dar coisas, e não para retribuir nossas más ações.”
Ser caridoso é uma das tarefas mais importantes deste tempo. A oração, a esmola e o jejum são pilares fundamentais da vida cristã, e, neste período, somos convidados a intensificar nossa busca por Deus e pela santidade por meio desses gestos.
Nossas atitudes devem refletir o que se passa no coração. Transbordamos o interior em incessante oração nas ações práticas, na caridade e no cuidado ao próximo, doando-nos para receber a graça de Deus!
Quando unimos oração, esmola e jejum, vivemos uma espiritualidade integral que transforma o coração e nos aproxima do Senhor. Assim, nossas ações terrenas ganham asas e chegam mais facilmente ao céu, tornando a Quaresma um tempo fecundo de renovação e graça.
Convidados a perdoar
"Perdoe e você será perdoado. Que o servo se reconcilie para que não seja punido com justiça pelo Senhor. Nesse tipo de esmola ninguém é pobre. Mesmo quem não tem meios de subsistência neste mundo pode fazer isso para garantir sua vida por toda a eternidade. Esta esmola é dada gratuitamente; pode ser dada, pode ser aumentada; e não é consumida exceto quando não é compartilhada. Portanto, que aquelas inimizades que duraram até hoje sejam quebradas e terminadas, deixe-as acabar para que não acabem com vocês; não deixe que prendam vocês; que sejam destruídas pelo Redentor para que não destruam vocês que não perdoem." (Sermão de Santo Agostinho para a Quaresma)
A Quaresma é o tempo oportuno para buscar o sacramento da reconciliação com olhos no próprio Jesus, que carregou e tomou sobre Si as nossas iniquidades e por amor foi até o fim, morrendo para nos entregar a Vida!
Perdoe aqueles que lhe fizeram mal e busque o perdão daqueles que você feriu. Assim, você viverá uma Quaresma alinhada com os desejos de Santo Agostinho e com os olhos fixos na cruz vivida por Jesus!
"Pela humildade e caridade, pelo jejum e esmola, pela temperança e perdão, pela partilha de bênçãos e não retaliando os males, pelo declínio da maldade e fazendo o bem, nossa oração busca e alcança a paz."
A Quaresma com os Agostinianos Recoletos
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