Conversão de Santo Agostinho: Inspire-se em sua história
Santo Agostinho também viveu inquietações no seu processo de conversão. Você já conhece essa história? Clique aqui e aprofunde-se no tema!

Sabemos que o processo de conversão de Santo Agostinho não é nada fácil. Isso não deve, no entanto, nos desanimar, justificar fugas ou procrastinação. Deus anseia uma resposta, tanto quanto as nossas próprias inquietações.
Conversão é cura da alma. Contudo, quando estamos machucados pelo pecado, pela vida longe de Deus, a qual não tem sentido nem verdadeira e plena felicidade, o primeiro passo pode ser deixar de mascarar a cicatriz e limpar esse ferimento, encarar de volta a dor que ele nos causa, situação, claramente, bastante desconfortável de se lidar.

Santo Agostinho viveu isso na pele, na sua história, e nos testemunha. Vamos conhecer melhor sobre a completa transformação que o Senhor operou nesse inquieto coração? Continue a leitura conosco!
"Até quando? Até quando direi amanhã, amanhã? Por que não agora?"
Foram mais de 14 anos buscando a verdade na sabedoria advinda dos mais diversos lugares e crenças, como na retórica, na gramática, na lógica e no maniqueísmo, teimou, relutou, cegou o coração para o Deus que lhe chamava, e, assim, o arrependimento de ter perdido tanto tempo sem perceber quem morava dentro do peito um dia ecoou para Agostinho.
O processo da conversão, de fato, nos enche de incertezas, nos pede mudanças desafiadoras e, por isso, costumamos sempre prometer um amanhã - que, infelizmente, nunca chega - para se comprometer com Deus.
Mas, em sua bondade, o Pai se deixa conhecer, nos alcança, se revela nos locais escondidos, a fim de não ser confundido, e brilha a luz do seu infinito amor. Nas trevas das dúvidas e angústias, um único raio de luz tudo clareia em nossas almas.
A conversão nos constrange

Aquele que um dia procurou um cristianismo por mero entendimento intelectual, pela pura razão e, de tal modo, não achou-o suficiente para solucionar suas questões interiores, certo dia ao ler uma passagem nas Sagradas Escrituras, a partir da voz que lhe dizia "toma e lê" (VIII, 12, 29,) abriu os seus olhos, olhos de fé, para descortinar toda a miséria em que vivia.
"Vivamos honestamente, como em pleno dia: Não caminheis em glutonarias e embriaguez, não nos prazeres impuros do leito e em leviandades, não em contendas e rixas; mas revesti-vos de nosso Senhor Jesus Cristo, e não cuideis de satisfazer os desejos da carne" (Rm 13, 13).
Essas palavras foram o grito de Deus dentro de si, ficou comovido, embaraçado, pois o amor do Senhor é muito maior do que podemos pensar, sentir ou imaginar. Contemplou e compreendeu, enfim, que apenas um Deus que se fez "próximo" de nós, assumindo a nossa humanidade, os nossos sofrimentos, poderia ser o verdadeiro caminho para o viver.
O temor que esse constrangimento de amor de Deus nos causa não nos paralisa, pelo contrário, motiva a seguir rumo em busca a uma união melhor e mais perfeita com Ele. Logo então, Agostinho pôs-se a aprofundar na fé católica e no aperfeiçoamento espiritual em preparação para o seu batismo, o qual aconteceu um ano depois, na Vigília Pascal do ano de 387, quando tinha 33 anos, a mesma idade de Cristo quando morreu, ressuscitou e retornou aos céus.
Pelas mãos de Santo Ambrósio, Agostinho confirma a sua vida nova em Jesus, "Recebemos o batismo e fugiram de nós as preocupações da vida passada". Esse e outros sacramentos, como a confissão, têm tal poder de dar uma nova chance, de aliviar o fardo para recomeçar.
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A conversão de todo dia
Foi pela oração diária de sua mãe, Santa Mônica, que sua conversão também foi possível, e ambos puderam, então, unir esforços - orações - em busca da santificação, a qual alcançaram pela graça de Deus.
Também em um dos capítulos do seu livro "Confissões", denominado "A conversão dos grandes", Santo Agostinho demonstra essa pressa em viver a renovação de si e dos seus propósitos continuamente: "Vamos pois, Senhor, mãos à obra! Desperta-nos, chama-nos, inflama-nos, arrebata-nos; derrama tuas doçuras, encanta-nos: amemos, corramos!". Agostinho fala no presente, pois é no agora que somos chamados a viver tudo isso.
O mesmo é preciso, portanto, na vocação, persistência e coragem para recomeçar quantas vezes for necessário.

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Mas qual a relação dessa história com o meu processo de discernimento vocacional?

Essa fase inicial da vocação também costuma nos causar muitas dúvidas, é como viver um novo processo de conversão. Enquanto a conversão nos conduz ao chamado universal à santidade, a vocação se trata daquele chamado que nos é específico e singular. Deus não criou nenhuma pessoa idêntica a outra – e a beleza reside, justamente, nessa diversidade de dons.
Santo Agostinho foi escolhido para ser santo, da mesma forma que nós somos escolhidos a sermos santos e o mesmo também acontece com São Francisco de Assis, por exemplo. Contudo, enquanto Agostinho é chamado especialmente para levar a mensagem contemplativa e ativa de que a verdade somente se encontra em Deus e a busca da felicidade no "mundo" é vã, Francisco tem uma dimensão mais voltada ao serviço e à caridade.
O discernimento vocacional é, de tal maneira, esse período onde identificamos o nosso lugar, no qual Deus deseja fazer-nos seu instrumento, e onde não cabe mais nenhuma outra pessoa além de nós, não há como substituir. E, por isso, exige amadurecimento, entrar em si, crescer, cair, levantar, decidir e ir ao encontro do nosso próximo, já que a vocação nunca para em nós!
Se esse conteúdo tocou o seu coração inquieto, lhe convidamos a compartilhar também com um amigo.
Que Santo Agostinho possa ser nosso fiel intercessor!
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