Perseverança na Vocação: Pensamentos de Santo Agostinho
Reflexões de Santo Agostinho sobre perseverança para alimentar a sua vocação, leia agora!

Ao falar sobre perseverança logo lembramos da parábola da videira e dos ramos que encontramos no Evangelho, "Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim" (Jo 15, 4). Não fomos chamados por acaso, Deus quer frutificar em nossa vida e, dessa maneira, levar o seu sabor e alimento a todos que têm fome de coração.
Sabemos que o tempo do cultivo varia de fruta e legume, mas geralmente costuma ser um processo demorado e delicado. Requer adubo, água, sol, pode ser ameaçado por ervas daninhas ou animais peçonhentos, ou seja, precisa de atenção e cuidado diário. A boa colheita é consequência de persistência e constância em Seu amor, constância da qual Jesus pede-nos na leitura comentada, além disso, essa é também a chave para encontrarmos alegria!
O Papa Francisco em uma de suas homilias fala sobre um permanecer que é recíproco, "E Ele - que o Senhor me permita dizê-lo - sem nós parece que nada pode fazer, pois o fruto é dado pelo ramo, não pela árvore, pela videira. Nesta comunidade, nesta intimidade de 'permanecer' que é fecunda, o Pai e Jesus permanecem em mim e eu neles.", comenta. Em sua bondade, Deus desejou que fizéssemos nossa parte em sua obra de amor, tarefa a ser cumprida no cotidiano.

A perseverança é assim: um passo a passo. Continue lendo para refletir juntamente com Santo Agostinho.
"Enquanto houver vontade de lutar, haverá esperança de vencer."
Com essa primeira frase de Santo Agostinho podemos começar a pensar sobre a perseverança, primeiramente, como uma virtude que nos auxilia a renovar e fortalecer a fé todos os dias para lutar contra o pecado, as paixões da carne e as tentações do Inimigo, inclusive aquelas que mal parecem fazer diferença. Tantas vezes nos acomodamos na preguiça, por exemplo, considerando-a como algo insignificante, e quando nos damos conta estamos quase engolidos por ela.
"Podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto" (Jo 15, 2).
A base da persistência está em recomeçar continuamente e buscar dar sempre um passo a mais, passar um minuto a mais em oração atenta e recolhida com o Senhor, ler uma página a mais na Palavra de Deus e/ou em alguma leitura espiritual, evitar um tempo a mais em alguma distração, etc. Enfim, manter-se firme!
"Conhece-te, aceita-te, supera-te."
Justamente quando bem conhecemos os motivos que fazem com que desviemos do caminho, quais os nossos limites e defeitos, sabemos quais partes de nós demandam mais cuidado e atenção.

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No entanto, também de nada basta o conhecimento se ele não for aplicado. A "etapa do aceitar-te" presume, assim, reconhecer-se que sem Deus somos vazios e, então, superar a nós mesmos permitindo que o Seu grito rompa a nossa surdez e faça-nos aceitar a aventura de um passeio interior, onde Ele habita.
"Nunca te satisfaça com aquilo que és para que sejas um dia aquilo que ainda não és. Avança sempre! Não fiques parado no caminho."
Viajar é avançar! Aperfeiçoamento e superação, nadar contra a correnteza.

Contudo, em meio a esse busca por crescimento, não nos deixemos convencer pelos desânimos que surgem para nos provar de que deveríamos desistir ou de que tomamos a decisão errada, mas lembremos que não fomos escolhidos por nossas habilidades ou merecimento, mas pela infinita bondade de nosso Deus que deseja derramar o seu grandioso amor, desinteressada e gratuitamente.
As renúncias que várias vezes são necessárias, apenas nos impulsionam a chegar ainda mais longe e com o coração mais leve e desapegado do que não é útil.
"Fizeste-nos para ti e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em ti."
No encontro com a vocação, quando Deus desperta e abre os nossos olhos, o nosso coração atraído e ardente pelo Senhor encontra o seu lugar e supera a inquietude.
Santo Agostinho em sua famosa oração lamenta-se que tarde encontrou a sua vocação, entretanto, não fosse a oração perseverante de sua mãe, Santa Mônica, quem sabe as coisas poderiam ter sido ainda mais tardias, ou até mesmo, Agostinho poderia ter chegado ao fim da sua vida sem nunca ter se convertido, vivendo em agonia na terra e padecendo pela eternidade. Tal foi o amor e preocupação materna de Santa Mônica, pensando na alma de seu filho!

Conta-se que as últimas palavras dela foram: “Meu filho, não sei mais o que fazer neste mundo. Por um só motivo eu desejava viver: Ver você cristão. Agora que Deus me concedeu esta graça, parto feliz desta vida terrena”.
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"Exalaste Teu Perfume e respirei. Agora suspiro por Ti, anseio por Ti! Deus… de Quem separar-se é morrer, de Quem aproximar-se é ressuscitar, com Quem habitar é viver."
Depois que experimentamos Deus, Ele mesmo torna-se nossa maior motivação para permanecer!
Na vocação isso é essencial. Diversas dúvidas e tentações atravessam o nosso caminho mesmo depois do "sim", por isso, temos que fortalecer a nossa fé e caridade para não se abalar com os ventos contrários e chegar sempre mais além, alinhados com o lugar que Deus sonha para nós! "Corramos com perseverança a corrida que nos é proposta" (Hb 12, 1).
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